Dani Guerrato

Developer Bus e visita a sede da Google em Mountain View

Por | Comentários: 9

Saiba tudo que rolou no evento Google Developers Bus aqui no Brasil e me acompanhe em um passeio pela sede da Google, no Vale do Silício.

Fala pessoal! Aqui é a Dani Guerrato, designer da PopUp, e no início de janeiro tive uma experiência incrível participando de um evento para desenvolvedores na sede da Google em Mountain View, Califórnia. Como fui parar lá, o que aconteceu e como é o Googleplex? Bem precisamos voltar um pouco no tempo, até novembro de 2013. Vou contar tudo sobre a aventura mais geek da minha vida. Aviso: este post é gigante e recheado de fotos, vídeos e relatos de viagem.

Como tudo começou…

Eu tenho o costume de acompanhar diversos grupos de desenvolvedores através do Google+. E foi assim que eu descobri sobre o Developer Bus – uma mistura de maratona de desenvolvimento (ou hackathon) com reality show produzido pela Google. A competição já havia passado por três cidades da América Latina (Buenos Airies, Bogotá e México DF) e agora vinha para SP para a etapa brasileira. Parecia uma ótima oportunidade de aprender coisas novas, trocar idéias com outros desenvolvedores e, é claro, colocar meus conhecimentos a prova já que o desafio da competição era criar um projeto em apenas três dias! E as inscrições estavam nas últimas horas. Me inscrevi naquele segundo! Eu e mais cerca de 2200 pessoas… Para participar era necessário escolher um papel: designer, desenvolvedor front-end, desenvolvedor back-end e gerente de projeto. Aqui na PopUp o meu trabalho mistura muito destas funções (exceto back-end… não sei absolutamente nada sobre isto! sério!), mas eu escolhi a área que eu me identifico mais: design. A partir daí foi só ansiedade para aguardar as seletivas.

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O processo seletivo

A primeira peneira foi uma provinha virtual com questões de múltipla escolha sobre design. Todas as perguntas tinham um tempo para serem respondidas. Mas era tudo bem facinho. Coisas do tipo “o que são Breadcumbs?”. Foi bem tranquilo e, qualquer um que saiba um pouquinho sobre a web tiraria de letra… A segunda fase envolvia uma questão de lógica. Um desafio matemático bem simples…se você não é péssimo em matemática como eu. Peguei lápis e papel e montei uma tabelinha para chegar no resultado, um truque que sempre me ajudou quando eu estava na escola. Depois de clicar no botão “enviar” me toquei. Eu poderia ter criado uma função em qualquer linguagem para me dar a resposta correta sem fazer conta nenhuma… Era mais provável que fosse este o teste. Mas já havia enviado. Tudo o que me restava era confiar na resposta que eu inventei…

E não é que deu certo? Recebi um e-mail me parabenizando por passar por mais esta etapa. A terceira e última foi a mais difícil. Eu deveria responder uma outra pergunta em um vídeo de 50 segundos. Tínhamos 24 horas para realizar a gravação ou bye bye Developer Bus. Enfim chegou o momento de gravar o vídeo. Eu deveria me apresentar e dizer por que eu queria participar do evento e como poderia auxiliar minha equipe. Este foi o meu video de apresentação.

Na segunda feira seguinte os vencedores deveriam ser avisados via telefone. Nem precisa dizer que eu pulava da cadeira toda vez que o telefone tocava por aqui. Em uma destas vezes era um engano… queriam falar com uma tal de Ana. Informei o engano e desliguei o telefone Mas uma coisa curiosa aconteceu. Logo em seguida tocou o celular do meu sócio, Leandro Lima, querendo falar com a tal da Ana. Em uma inspiração divina que salvou o meu pescoço o Leandro perguntou de onde era. E era do próprio Google. Aparentemente tinham invertido os números de telefone sem querer, mas o meu nome também estava na lista. Eu estava dentro. #todoscomemora

São Paulo, 21 de novembro – Dia 1

Inícios

Deveríamos estar todos as 8 da manhã do dia 21 de novembro porta do Google. Embora eu tenha lido todos os termos de serviço, FAQs e assistido alguns vídeos das etapas anteriores não fazia idéia do que me esperava. Quando cheguei na porta do evento já tinha uma galera com camisetas coloridas. Todos estavam divididos de acordo com as funções. Verde para front-end, azul para back-end, vermelho para gerente de projeto e amarelo para Designers. Ganhei a minha e um crachá. O clima era de total espectativa.

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Algumas rodas se formaram e, para a minha surpresa, algumas pessoas eram leitores aqui do BlogUp ou do Tableless! Foi muito legal interagir com esta galera. Quando todos chegaram entramos em um ônibus todo tematizado (por isto Developer BUS, sacou?) e partimos em direção ao evento.

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Chegamos na Universidade Anhembi Morumbi onde um super café da manhã nos esperava. Este vídeo mostra um pouco como foram estas primeiras horas:

O Evento

Bem, depois de todos pegarem suas doses diárias de cafeína o evento começou. A premissa era a seguinte: seríamos divididos em equipes através de uma dinâmica de grupo. Cada equipe deveria criar um projeto que: 1. Utilizasse alguma ferramenta Google. 2. Oferecesse uma solução que beneficiasse o cenário das pequenas e médias empresas. Teríamos 3 dias para criar a identidade visual, desenvolver o código front-end, implementar o back-end e essencialmente apresentar um pitch sobre nosso projeto. Teríamos a ajuda de mentores, profissionais de diversas áreas que dariam dicas e soluções. Deveríamos também interagir com o público através da nossa página no Google+. A cada +1 que recebecemos em nossas postagens, poderíamos ganhar uma moedinha e trocar por benefícios especiais como snacks, energético, 10 minutos de massagem ou fichas de fliperama. Super divertido! Ao longo do dia também teríamos palestras e mini-workshops técnicos. Além de tudo isto o reality show propriamente dito, ou seja, muitas fotos, entrevistas e desafios ao vivo. Ufa! Coisa demais para tão pouco tempo.

Brainstorm

Parte do intuito do evento é simular o processo de criação e desenvolvimento de uma StartUp no mundo real. E, no mundo real, todo projeto começa com uma idéia! Essa era nossa primeira tarefa. Fomos separados aleatoriamente em grupos de 4 participantes + 1 mentor. Cada participante deveria levantar uma ou mais idéias de projetos e, depois de 10 minutos, as melhores eram anotadas em cartões anônimos o mais resumidamente possível: título, descrição de duas linhas e quais tecnologias Google seriam utilizados para colocar o projeto em prática. Após esta primeira leva todos trocamos de mesa e realizamos o processo novamente. Ao final os mentores tinham na mão dezenas de cartões com idéias anonimas. Eles separam as mais promissoras (e viáveis de serem realizadas em um período tão curto) em um quadro colado na parede.

Formação de equipes

Todos nós recebemos um outro cartão em branco com nossas cores (designers amarelo, front-end verde, etc) e um número. Neste cartão deveríamos escrever nosso nome e habilidades profissionais. Todos fomos chamados lá na frente para o quadro de idéias para formar uma fila na ordem sorteada pelos números. Agora a dinâmica era a seguinte: cada participante, na ordem que foi chamado, deveria colar o seu cartão pessoal ao lado da idéia que achasse mais interessante. Com uma pegadinha importante: um grupo é fechado assim que receber 4 cartões diferentes (um de cada cor). Ou seja, se alguém colasse o cartão antes, você perderia a chance de participar daquele projeto. Isto significa que qualquer um pode inclusive pegar uma idéia que era originalmente sua e “roubar” para ele. E, bem, isto também acontece no mundo real, certo? É bom estar preparado.

 O meu time

Chegou a minha vez de colar o papelzinho e eu escolhi um projeto chamado “Gamefication Healthcare”. Era a proposta que parecia mais diferente e inovadora…

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E foi assim que eu conheci três profissionais incríveis: Bruno Cicanci (desenvolvedor front-end), Fábio Uechi (desenvolvedor back-end) e André Lucas (gerente de projeto). Sério, galera. Preciso até parar a narrativa para agradecer a esta galera e reconhecer a sorte que eu tive. Formar um projeto com três estranhos aleatórios tinha muita chance de dar errado. Poderiam ser três chatos, ou pessoas que simplesmente não entendessem nada de desenvolvimento e estivessem lá por acaso ou três pessoas que dessem o famoso migué… Que nada! Cada um cumpriu sua parte maravilhosamente bem e eu tive muita sorte de encontrar esta equipe.

Idéias… mudam

A idéia original escrita no papelzinho era ótima. Envolvia o uso de jogos e sensores para auxiliar o tratamento de criancinhas. Era incrível! Mas… não daria tempo. Para começar o meu background profissional não ajudava muito. Sou super apaixonada por games, mas nunca trabalhei em um! Fora isto não tínhamos tempo hábil para fazer algo do jeito que gostaríamos. Foi então que pegamos o tema central “saúde + games” e chegamos em um novo conceito.

PowerUp

Quem nunca ficou perdido em uma academia? Eu, pelo menos, não faço idéia de que aparelho faz o que e nunca lembro quanto de carga devo usar em cada um… Fora que seguir aquelas fichinhas de papel não ajuda em nada. O PowerUp é um aplicativo de Android que essencialmente fornecesse informações sobre exercícios físicos e treinos de academia. Mas é muito mais do que isto! Através do app você pode gerenciar os treinos, acompanhar sua evolução e permanecer motivado através de elementos inspirados em games. Isto significa conquistas, desafios, ranking com os amigos, pontos de experiência, enfim, uma série de recursos criados para estimular os usuários a persistirem nos treinos. É um jeito muito mais divertido de treinar! Você pode, por exemplo, apontar o seu smartphone para um QR Code colado em um aparelho e descobrir todas as informações sobre ele. Além disto o app é super útil para as academias, que teriam uma maneira muito mais prática de criar e gerenciar treinos para os alunos. Além de informações como estatísticas de uso inteligentes que poderiam guiar escolhas importantes como investimentos em infra-estrutura e controle de frequência de alunos. O app ainda auxiliaria o instrutor a interagir mais com os alunos. Esta é a premissa básica do nosso projeto que não parou no Dev Bus não. Você pode acompanhar mais sobre o App no site oficial do PowerUp.

Primeiros passos

OK. Já tínhamos uma equipe e uma idéia. Precisávamos validar ela! O André ficou a cargo de definir um modelo de negócios e conversar com as academias e o público para descobrir se o projeto era viável, enquanto o Bruno e o Fábio começaram a desenvolver a base do app.

Este foi o Wireframe inicial da idéia.

wireframe

Eu precisava cuidar do branding. Em uma hora! O primeiro brainstorm foi para definir o nome. PowerUp engloba todo o conceito do app: Up (motivação e evolução), Power (força e energia), além de ser uma expressão muito usada em games no sentido de bônus, conquista, subir de nível, etc. Ao mesmo tempo que é um nome que poderíamos utilizar tanto no Brasil como para países de língua inglesa. Com o nome definido o próximo ponto foi a identidade visual. O verde é uma cor energética, muito associada a natureza, bem estar e fitness. Parecia uma escolha certeira. Quanto ao símbolo eu precisava de algo direto e moderno, que se adaptasse a diferentes tamanhos e resolução de tela e funcionasse como um ícone. Decidi pelo halter, que é um simbolo bem associado a academias. O formato de hexágono ajudou a dar vida ao ícone e servir de base para outros elementos da identidade visual como ícones de conquistas. Para a tipografia escolhi a família Archive por seu peso e formato mais “agressivo” (para complementar com a leveza do verde). Fiz ainda alguns outros testes de cores para garantir que o logo funcionaria em preto e branco e outras situações diferentes. Criei ainda variações horizontal, vertical e avatar para redes sociais. O dia estava na metade e já tínhamos uma marca!

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Hora de desenvolver

A próxima etapa foi definir um MVP, ou seja, um produto mínimo viável. Estávamos super empolgados e cheios de idéias para o app, mas não dave tempo de colocar tudo o que queríamos na primeira versão. Foi nesta etapa que preparamos os primeiros wireframes e definimos as funções básicas do aplicativo e do sistema administrativo.

Versão digital do Wireframe.

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A plataforma escolhida era Android, mas já tínhamos planos para versões futuras para iOS e Windows Phone. O André já tinha conversado com diversas academias e muitas se mostraram interessadas no app, o Fábio começou a setar a plataforma Google app engine enquanto o Bruno prototipou o app no Corona. Ao final da primeira apresentação do nosso grupo o host do programa, Neto Marin, declarou “temos um forte candidato”. E era assim que nos sentíamos.

Lembra que deveríamos interagir com o público através do Google+? Pois é, nossa página ganhou rapidamente +1. Deu para acumular muitos tickets / moedinhas. :)

São Paulo, 22 de novembro – Dia 2

Obstáculos pelo caminho

Dormi muito pouco naquela noite. Na verdade os acontecimentos a seguir são um borrão na minha mente. Lembro de finalizar as telas do App sem ter nenhuma referência de documentação pois tive problemas na conexão com a internet. Considerando que este era meu primeiro aplicativo e eu sou mega perfeccionista, imagine o tamanho da ansiedade! Mas isto não me desanimou. Fizemos diversos testes e fomos ajustando os tamanhos e elementos do layout na unha. Nossa página do Google+ ganhava muitos novos seguidores. Estávamos empolgadissimos com o projeto. Finalizei o layout básico do App e os meninos começaram a implantar o front e o back-end. O Bruno decidiu abandonar o Corona e passou a desenvolver utilizando Eclipse e Android SDK.

Layout preliminar do App desenvolvido durante o evento.

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Comecei a desenvolver o layout do sistema administrativo no Photoshop. No meio do caminho fiquei preocupada com o tempo e resolvi criar o layout diretamente no HTML – coisa que para mim só funciona em momentos de guerrilha ;).

Dormir é para os fracos!

Lembro de ter feito todas as minhas refeições na frente do computador e a noite eu não dormi absolutamente nada. Estava tão cansada que se fechasse os olhos por 5 minutinhos eu iria capotar então preferi não pregar o olho. Ao invés disto passei a noite inteira olhando para linhas de código. Meu objetivo era finalizar todo o HTML/CSS/JS antes da próxima manhã. E, como penso ser algo fundamental para um projeto mobile, queria que todas as páginas fossem responsivas! Mas eu não fui a única a madrugar. O restante da equipe inteira também ficou acordado mandando bala no desenvolvimento do App! Até o André, o gerente de projeto, deu uma mãozinha com o HTML do admin. Na verdade no final não importava a cor da camiseta e o título no crachá, sempre que alguém tinha um problema o resto da equipe dava uma força. Foi extremamente cansativo, mas super recompensador ver o projeto tomando forma tão rápido. No final da noite já tinha o front-end do site pronto!

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São Paulo, 23 de novembro – Dia 3

Corrida contra tempo

Se o dia 2 já passou rápido no 3 o tempo estava contra a gente. Embora a parte de design estivesse semi-concluida, implementar e apresentar tudo foi mesmo um desafio. Sempre faltava uma coisinha ou outra: um JS que estava com bug, um ícone que estava em tamanho errado, um botão que não havíamos previsto, etc. Gerenciar o projeto também não era fácil: precisamos de fotos e conteúdo para o app, ter uma boa apresentação com argumentos sólidos baseados em dados reais, movimentar as redes sociais e encantar o jurí com storytelling. Fora o trabalho monstro de implementação do front e back-end do app! Tudo isto antes das 17 horas – a deadline para subir o código no GitHub e enviar a apresentação final para avaliação. Os critérios para a avaliação eram: contribuição para o ecossistema de pequenas e médias empresas, qualidade do código front e back-end, uso de APIs e serviços do Google, originalidade, design e experiência do usuário, acessibilidade e número de +1 no Google+. Passamos o pouco tempo livre que sobrou conversando com os mentores em busca de feedback sobre o PowerUp. Sabíamos que estávamos na frente neste último critério (já tínhamos mais de 4000 +1), mas não havia como saber quanto ao restante. As apresentações finais começaram e as outras equipes tinham propostas muito interessantes. Eu já estava feliz apenas por ter participado. Foi uma experiência ótima e aprendi muito em muito pouco tempo. Mas… todos nós queríamos levar o prêmio para casa: uma viagem para conhecer a sede da Google em Mountain View.

Conquista Desbloqueada: Google Developer Bus Brasil 2013

Depois de minutos de super ansiedade foi anunciado nossa vitória. Foi difícil, mas conseguimos mostrar uma pequena demo do app funcionando e, acho que este foi o critério decisivo. Eu não sabia se devia rir, chorar ou gritar. E foi assim, meio em choque, que fomos receber o prêmio. E a sensação era de missão cumprida! A prova que com muito trabalho duro dá para seguir os desafios.

Compilação de “melhores momentos” da nossa equipe no Dev Bus Brasil

A partir daí fomos levados para uma mini-balada de comemoração. Mas, sinceramente, o que eu precisava era de uma noite de sono. Fui para casa mais cedo e dormi com um sorriso no rosto.

Dezembro

Férias? Que férias?

O que veio a seguir foi uma grande correria. Eu não tinha visto para os EUA (na verdade ninguém tinha), precisava organizar outros detalhes da viagem e adiantar todos os projetos da PopUp (que são prioridade SEMPRE) para poder seguir tranquila. Passou Natal, Ano Novo e ansiedade foi aumentando.

Após um tempinho ficou determinado que iríamos no final de janeiro. Eu tinha menos de dois meses para fazer o redesign do App para que ele perdesse a carinha de protótipo e se encaixasse em todas as diretrizes do Android. Queria chegar em Mountain View com a interface prontinha e com a melhor experiência possível para o usuário. Eu já tinha uma certa bagagem de sites para dispositivos móveis (principalmente através de design responsivo), mas criar aplicativos foi um desafio novo. Você pode conferir algumas das coisas que eu aprendi sobre isto nos artigos Design de Aplicativos para Android Parte 1 e Parte 2. Concluí a maior parte das telas e o resto da equipe também fez a lição de casa direitinho. Estávamos prontos para ganhar o mundo!

Redesign do App com base na documentação oficial do Android.

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26 de janeiro, Mountain View, CA – Dia 0

Ganhando asas

Malas prontas. Família dando tchauzinho no aeroporto. Hora de embarcar para a Califórnia. O voo foi super tranquilo e14 horas depois estávamos chegando em San Jose, CA. Chegamos no inicio da tarde. Passamos o dia nos acomodando no hotel, conhecendo um pouquinho de Mountain View e de outra cidade próxima, Palo Alto. Tudo era super bonito, seguro e tecnológico. Em Palo Alto, por exemplo, até as praças públicas tinham WiFi… Voltamos cedo para o hotel pois precisávamos guardar as energias para o dia seguinte quando finalmente conheceríamos o Google de pertinho.

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27 de janeiro, Mountain View, CA – Dia 1

Networking latina

7:30 da manhã e todo mundo já estava de pé. Tivemos a oportunidade de conhecer o pessoal das outras equipes, pois todos estavam hospedados no mesmo hotel. A primeira dificuldade inicial foi a comunicação. Algumas pessoas não falavam inglês e o meu espanhol é bem mais ou menos. Mas no final todo mundo se entendeu e todos eram extremamente simpáticos e talentosos.

(Fica a dica, viu, galera? Não basta estudar inglês. Espanhol é essencial!)

O ônibus chegou e… não sei se posso chamar aquilo de ônibus. Parecia uma mistura de SUV com limousine. Bancos de couro, piso de madeira, super confortável… Mas você não está lendo isto para saber sobre o ônibus, certo? Depois de 10 minutos chegamos ao Googleplex e aí que a aventura começou de verdade.

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Googleplex

Como descrever a empresa? Bem, quem é de SP e já passeou pela USP pode ter uma noção do visual. Amplos prédios baixinhos, área verde e espaçosa, clima de efervercência cultural… Só que muito mais limpinho, tecnológico e organizado que um campus de faculdade, é lógico.

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Enquanto caminhávamos do estacionamento até o primeiro prédio era possível encontrar de tudo: bicicletas coloridas utilizadas pelos Googlers, carros movidos a energia elétrica e estatuas gigantes do robozinho fofo Android. E nem ao menos tínhamos entrado nos prédios ainda!

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O café da manhã foi em um restaurante tipicamente americano. Um buffet gigante recheado de coisas gostosas para todos os paladares, incluindo opções vegetarianas, diets, lights, enfim. Este foi apenas um dos restaurantes que conhecemos. Ao longo da viagem almoçamos em um restaurante Mexicano e fomos em um coquetel em um restaurante japonês. Se alguém diz que a comida dos EUA não é gostosa é por que nunca comeu no Google.

A preocupação com os funcionários era evidente nos pequenos detalhes: guarda-chuvas extras em um canto para quem esqueceu o seu em um dia chuvoso, campanhas anti-tabagismo e programas de trabalho voluntário colocados nos murais. Pequenos gestos como este fazem toda a diferença e, dava para ver no sorriso das pessoas que todos estavam muito contentes de trabalhar ali. E a tecnologia era sempre a cereja no bolo. Até as privadas nos banheiros eram eletrônicas e era necessário sempre utilizar um cartão magnético para andar pelas áreas do prédio por segurança. E os prédios são gigantes. Não conhecemos nem 1% do Google…

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A Garagem

Bem, passado o café da manhã conhecemos o galpão que seria nosso lar durante os três dias do evento: The Garage. O espaço foi palco de diversos eventos do Google como hachatons, palestras e testes do Google Glass. E, quer saber, participamos de um pouquinho destas três coisas. Mas já estou me adiantando… Muitas gigantes do Vale do Silício nasceram como pequenas empresas nas garagens dos seus criadores. Então este espaço presta justa homenagem as garagens de criativos do mundo todo. O espaço era todo tematizado com placas e acessórios de carros pelas paredes e bancos de carros antigos como sofás. Muito divertido!

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Fora isto era possível encontrar na Garagem todo tipo de ferramenta que um designer ou desenvolvedor possa imaginar. Computadores de última geração (PC e Mac) com monitores gigantescos, impressoras 3D, livros, aparelhos de projeção, canetas de todas as cores e tamanhos, peças de lego, enfim, absolutamente de tudo!

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Ah, com um espaço com máquinas de café convenientemente próximo para nenhum programador botar defeito. Era o ambiente perfeito…

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Primeiros encontros

Fomos calorosamente recebidos pelo Francisco Solsona, Developer Relations do Google na América Latina, que nos contou um pouco sobre a programação do evento e explicou o que estávamos fazendo ali afinal. A intenção da Google era transmitir a mensagem que com trabalho duro e tecnologia era possível chegar a todo lugar. Inclusive ao Vale do Silício. Fica a dica! ;)

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Anm, e quem pensa que nos EUA só se fala inglês está muito enganado. Como o evento foi criado especialmente para a comunidade latina tivemos palestras com diversos Googlers destas bandas. Então tudo foi essencialmente em Espanhol! Sorte que os palestrantes eram super gente fina. Falavam devagarzinho e respondiam nossas dúvidas em inglês. Ufa!

Fizemos uma rápida apresentação sobre o projeto.

Palestras e mais palestras

O resto do dia contou com outros encontros surpreendentes. Tivemos uma palestra com um desenvolvedor brasileiro chamado Bruno Oliveira  focada em Games para Android. O assunto era bem técnico mas a palestra foi super interessante e divertida. A vontade era de mergulhar na documentação e sair desenvolvendo games! O Bruno Oliveira apresenta uma série de videos sobre Jogos + Android no YouTube chamada GameOn. Alguns episódios estão saindo em português. Vale a pena ficar ligado!

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A próxima palestra foi sobre Tecnologias Open Source com Jose Eterovic. O tema central da conversa foram Protocol Buffers – um método para lidar com dados estruturados com ênfase em simplicidade e alta performance muito utilizado na Google. Saiba mais no repositório do projeto.

Este video mostra um pouco sobre as duas palestras:

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No fim do dia fomos a uma confraternização no bar Sports Page, tão famoso entre os Googlers que chamam o lugar de prédio 50 (todos os prédios do Google são numerados e o bar é próximo e… vocês entenderam a idéia). O ambiente era super descontraído com direito a cerveja gelada, quadra de vôlei de praia e mesas de sinuca. Foi uma ótima oportunidade de conhecer melhor o restante da galera da América Latina e saber mais sobre cultura, mercado de trabalho e os projetos pessoais de cada um. O ônibus chegou para levar todo mundo de volta para o hotel, mas era tanta coisa para conversar que continuamos trocando idéias na porta dos quartos mesmo. Ao final do dia eu não sabia mais se falava português, espanhol ou inglês mas todo mundo se entendeu.

28 de janeiro, Mountain View, CA – Dia 2

Google Glass

O dia começou com uma surpresa: uma demonstração do Google Glass com Claudia Chee  e Martin Carapiet. Sempre fui fascinada pelo conceito do aparelho (já até escrevi um artigo sobre Design para Google Glass), mas esta era uma oportunidade única de testar o gadget muito antes de ele ser oficialmente lançado no mercado. Parecia criança com brinquedo novo. A armação é super leve e confortável e os controles são bem intuitivos. Ao contrário do que muita gente pensa o Google Glass não é realidade aumentada, ou seja, as imagens não ficam “sobrepostas” ao mundo real cegando o usuário. A telinha fica um pouco acima de linha de visão do olho direito e não fica acesa o tempo todo. Para ativar qualquer função basta dizer “Ok Glass” + o que você deseja fazer. Ex: “Ok Glass, take a picture”. E está feito!

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O controle de voz é rápido e funciona super bem. Você pode, por exemplo, conversar em um hangout e mostrar para seus amigos exatamente o que está vendo sem usar as mãos ou ter que tirar um objeto do bolso para filmar. A navegação ponto-a-ponto por GPS também é legal. As setas vão te guiando em tempo real. Impossível se perder! É possível também controlar o aparelho por uma base sensível ao toque. Assim você não parece um louco falando na rua sozinho. É é possível realizar praticamente tudo que um smartphone faz em primeiríssima pessoa: navegar na internet, utilizar aplicativos, checar e-mail e redes sociais, consultar a Wikipédia, etc. Os desenvolvedores estão trabalhando para criar outras funções legais como uma base removível para ser utilizado em conjunto com armações de óculos de grau e tradução em tempo real. Seria possível então olhar para um texto e ver na hora a tradução. Seria fantástico em viagens! Enfim, é muito difícil não se encantar pelo aparelho. O Glass abre para um mundo novo de possibilidades e, sinceramente, não vejo a hora de ter um!

Mais encontros…

No segundo dia também tivemos outras TechTalks interessantes. A primeira palestra foi sobre BigQuery e Open Data por Felipe Hoffa. Foi uma palestra super interativa, com direito a demonstração, quiz e perguntas e respostas. A segunda foi uma apresentação da MANOS, uma aceleradora de San José focada em StartUps da América Latina. O programa deles é super interessante, com direito a mentores e demonstração para investidores no final do projeto. Eles vão abrir vagas para StartUps com projetos bacanas e algo concreto para demonstrar agora no primeiro semestre de 2014. Fica a dica para todos os empreendedores de plantão.

Este vídeo mostra um pouco do segundo dia.

Women Techmakers

Outra surpresa do dia foi a presença do canal Women Techmakers. Esta iniciativa da Google tem o objetivo de criar uma comunidade para inspirar e fortalecer mulheres de todas as áreas da tecnologia. Eu e as duas outras representantes femininas do Dev Bus – Catalina Giacomucci e Andrea Amado – fomos entrevistadas pelo canal. Segue o vídeo da entrevista.

O Pitch

O final da tarde foi focado em criar uma apresentação de slides bacana, finalizar a demo e treinar um pitch para ser apresentado a alguns investidores e amigos da Google. Tínhamos cinco minutos para falar sobre o aplicativo e demonstrar as principais funcionalidades. Foi bem difícil resumir tanta coisa em uma apresentação tão curta, mas no final tivemos um feedback positivo (inclusive um “Great work with the interface design” que colocou um sorriso no meu rosto). Recebemos dicas super valiosas sobre o mercado e possíveis caminhos a serem seguidos a partir daí. Foi ótimo ter uma opinião externa para refinarmos nosso modelo de negócio no mercado brasileiro. É uma experiência que todo aspirante a aprendedor deveria passar.

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Após todas as apresentações (todas ótimas por sinal) fomos para um coquetel preparado pela Google especialmente para o nosso grupo com música ao vivo e comidinhas especiais com direito até a mini cupcakes com as cores da empresa. Foi uma ótima oportunidade para trocar cartões de visita e conversar com pessoas de todas as áreas.

29 de janeiro, Mountain View, CA – Dia 3

Despedidas

No último dia fomos levados em um passeio pelo campus da empresa para conhecer o prédio do Android e o Museu da História da Computação que fica a poucos minutos do Googleplex. Neste dia eu já estava de malas prontas para voltar para a casa pois o meu voo estava marcado para o meio-dia, portanto infelizmente não vi muita coisa. Foi o tempo de tirar algumas fotos, gravar outros depoimentos e partir.

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Tudo estava com um clima nostálgico de despedida. Segue o vídeo destes últimos momentos.

Fui embora para a casa com a sensação de missão cumprida e muitas lembranças mágicas do Vale do Silício. Voltei com horizontes mais amplos, mais conhecimento na bagagem para aplicar nos projetos aqui da PopUp e feliz por dividir um pedaço disto aqui no Blog. Vejo vocês no próximo post!

As fotos e vídeos deste post foram retiradas da divulgação oficial do evento no Google+ ou fazem parte do acervo pessoal da equipe PowerUp.

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Dani Guerrato

Dani Guerrato

Uma geek que adora Design, Literatura Fantástica, Games de RPG e mochaccinos de chocolate branco - não exatamente nesta ordem. É designer, desenvolvedora front-end, palestrante e co-fundadora da PopUp. Gosta de coisas estranhas como cheiro de livro e bandas de heavy metal que ninguém ouviu falar.

Você pode achar a Dani por aqui:
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  • Elder Pinto

    Puts!..
    Parabéns Dani!

  • Bruno Quaresma

    Parabéns!!! Muito legal o app e ver a experiência de vocês!

  • Rodrigo Goncalves

    Fantástico! Parabéns

  • Robson

    que legal, grande experiência Dani. Parabéns!

  • Danilo Agostinho

    História surpreendente Dani! E parabéns não só pelo projeto como também pela narrativa que se ateve ao post. Foi incrível viajar com você em cada detalhe desde a descoberta de uma oportunidade de ouro, até a mais nobre das sensações: a vitória.

    Sem dúvidas, a equipe contagiou! até lembrei de uma cena do filme: Os estagiários, quando os estudantes precisaram formar grupos, e aquela equipe que ninguém acreditava contagiaram a todos.

    Da mesma forma vocês agiram… Foi perfeito!

    não há dúvidas, se foi excitante pra mim, imagina pra vocês!

    Obrigado pelo post – outro dia qualquer nos barraremos em algum evento por ai….. []’s

  • Guest

    Oi Ana!

    Amei saber desta sua experiência. Tbm gosto muito de tecnologia e faço faculdade de Sistemas de Informação. Ver os seus posts contando sobre suas experiências e a do seu sócio,me motivou e me fazer querer seguir mais com isso tbm.

    Abraços! ;)

  • http://www.meianoitebr.com/ Fabiany Lima (Meia Noite BR)

    Oi Dani!

    Amei saber desta sua experiência. Tbm gosto muito de tecnologia e faço faculdade de Sistemas de Informação. Ver os seus posts contando sobre suas experiências e a do seu sócio,me motivou e me fazer querer seguir mais com isso tbm.

    Abraços! ;)

  • Renan Smit

    Parabéns!!!Show

  • cristiano

    Gostava de conhecer mais pessoas como tu, motivada, inteligente e sempre pronta e cheia de ideias, parabens…Você vai longe

Postamos coisas legais aqui


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